terça-feira, 18 de setembro de 2018
segunda-feira, 30 de abril de 2018
Padre que acompanhava família de Alfie é impedido de continuar no hospital
Padre que acompanhava família de Alfie é impedido de continuar no hospital
Redação da Aleteia | Abr 26, 2018
Alfie's Army
Os pais de Alfie, que tinham lhe pedido várias vezes para “colocar a mão na cabeça dele e rezar por ele”, nem sequer puderam se despedir
Ope. Gabriele Brusco é o sacerdote italiano que acompanha a família do bebê Alfie Evans nesta provação brutal, mas, ao mesmo tempo, rodeada de intenso amor, esperança e fé.
Acompanha e continuará acompanhando – só que, aparentemente, agora precisará fazê-lo à distância.
Desde ontem à noite, a sua entrada no quarto do bebê está barrada. Parece que algo mudou drasticamente ao longo da tarde. Até então, ele tinha sido uma presença reconfortante e esperançadora junto à família Evans.
Durante o dia, o padre havia feito declarações ao Tg2000, programa de notícias da TV2000 da Itália, explicando que “na terça [24] o Alfie estava muito melhor; hoje um pouco menos, mas é necessário considerar que ele está cansado porque não foi alimentado durante várias horas”.
O sacerdote prosseguiu:
“Quando foi desconectado, Alfie praticamente deveria morrer. Eles deram 6 horas de prazo no sistema inglês para a sua morte. Mas ele não morreu. Por isso, foram obrigados a administrar a sua alimentação e hidratação. Agora o Alfie está bem, mas está fraco, porque durante vários meses não esteve acostumado a respirar por si mesmo, usando o respirador artificial”.
Ele contou que os pais de Alfie lhe pediram várias vezes para “colocar a sua mão na cabeça do menino e rezar por ele”.
O pe. Gabriele Brusco relatou também alguns elementos bem menos edificantes do cenário em torno a Alfie:
“Na área de reanimação, onde poucas pessoas podem entrar, encontrei em alguns dias cerca de 10 a 15 policiais no corredor e também dentro da pequena área onde está o quarto dele. Há muitos ursinhos de pelúcia, cruzes e terços. Antes também havia um sofá, que foi retirado ontem à noite, e o pai dele, Thomas, teve que dormir no chão”.
Hospital “blindado”
Após a maciça operação policial de ontem à tarde, imediatamente após a sentença que rejeitou o último recurso dos Evans, parece ter sido posto em marcha um plano de isolamento policial do núcleo familiar.
O enviado especial de Aleteia Itália a Liverpool, Giovanni Marcotullio, relata:
A pergunta que todos me fazem desde ontem à noite é, claro, “como está o Alfie?”. A resposta é simples: não sei, não se sabe. Todos nós vimos a fotografia linda e comovente postada essa noite pela mamãe, Kate, mas, além desse sorriso reconfortante e tranquilizador (parece uma sugestão de risus paschalis, e os olhos ficam marejados…), tudo permanece misterioso. Ele está sendo alimentado? Está sendo hidratado? Acho que sim, mas espero poder ser mais assertivo durante esta jornada. O que sei é que, ontem à noite, os pais conseguiram descansar algumas horas, após o dia surreal.Uma notícia séria, que eu esperava não ter que dar, mas que agora não posso calar, diz respeito ao padre Gabriele, que, na noite passada, foi barrado no Hospital Alder Hey. O cabo de guerra entre o padre e o hospital já durava tempo, e, ontem de manhã (enquanto me afastavam do andar de Alfie e começavam a revistar os familiares que entravam no quarto), tentaram mandá-lo embora do local. No final da manhã, uma importante cobertura diplomática parecia ter sido obtida para o padre legionário de Cristo, e parecia que o direito dos pais de Alfie à assistência espiritual havia sido protegido. Mas, à tarde, algo mudou. E, à noite, o padre Gabriele foi chamado de volta a Londres pelo seu pároco – é claro que, embora com profunda tristeza, o padre obedeceu.
O padre Gabriele nem sequer foi autorizado a se despedir de Tom, Kate e Alfie, que estavam literalmente trancados no quarto. E, desde ontem à noite, nem mesmo outros membros da família, ainda que revistados, puderam ter acesso ao quarto.
Quando o padre pediu permissão para entrar, o funcionário do hospital respondeu: “Sim, é verdade, o senhor normalmente deveria poder entrar, mas hoje eles me deram a orientação de não deixá-lo passar. Sinto muito“.
Entrincheirada no quarto, a família soube por telefone que tinha perdido até o seu assistente espiritual.
Alfie, a história do menino que a justiça britânica matou...
Deixei passar algum tempo para poder falar deste assunto "menos a quente"... Na verdade Alfie poderia ser o filho de qualquer um de nós, pais e mães deste país. Acompanhei esta batalha desde que a situação foi divulgada na comunicação social. Enfureci-me, vezes sem conta, com a justiça britânica completamente sem qualquer tipo de pudor que apenas se preocupou em vencer o seu ponto de vista e dos seus médicos. Venceu a justiça britânica e Alfie partiu... E este Alfie poderia ser o filho de qualquer um de nós... Até onde iríamos para tentar prolongar a vida ao nosso filho? Provavelmente encetaríamos todas as batalhas possíveis e imaginárias como fizeram os pais de Alfie.
A justiça ordenou não deixar sair esta criança do hospital, não porque ali seria onde seria mais bem tratado mas porque queria fazer vencer o seu ponto de vista. O mundo abriu-se para oferecer tratamento a esta criança, equipas de técnicos de saúde voluntários estavam prontos a fazer o seu transporte, foi-lhe oferecida nacionalidade italiana para poder ser transferido e tratado nesse país... A justiça britânica permaneceu surda, mais preocupada em não perder a face do que com o direito à Vida de uma criança.
Independentemente da nossa crença e numa altura em que a eutanásia está "em cima da mesa" como tema de discussão, é fundamental que possamos meditar sobre esta questão e perguntar-nos "E se fosse comigo? E se fosse meu filho?"
Um enorme abraço a estes pais guerreiros que lutaram até ao fim pela vida do seu filho e viram a sua luta "morrer na praia"... Alfie, contra todos os prognósticos, resistiu ainda quatro dias sem ventilação, continuamos sem saber exactamente de que doença rara se tratava e se esta criança poderia ver revertido o seu estado clínico; na fase final foram estes pais quem teve de realizar as manobras de "aspiração" das secreções desta criança porque os técnicos de saúde se recusaram a fazê-lo, mais preocupados em fazer vencer a sua teoria do que em proporcionar condições de saúde e bem estar a uma criança doente.
Pergunto-me onde fica então o célebre juramento de Hipócrates que todos os técnicos de saúde fazem? E se a Ciência está em permanente evolução não seria mais lógico que médicos se unissem para tentar descobrir mais sobre esta doença rara, em vez de permanecerem autistas a todas as ofertas de colaboração com o diagnóstico?
Gostaria ainda de realçar o papel do Papa Francisco que não se poupou a esforços no apoio a estes pais.
Não sei quem me revolta mais no meio desta situação se a surdez e prepotência da justiça britânica, se a atitude tão pouco ética dos técnicos de saúde britânicos tão "certos" da sua verdade...
Mas uma pergunta impõem a todos nós... " E se Alfie fosse meu filho?"
Helena Peixoto
30/04/2018
Alfie Evans completou sua batalha. “O nosso bebê ganhou asas nesta noite às 2h30 da manhã. Estamos com o coração partido. Obrigada a todos pelo seu apoio”. Com este…
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