segunda-feira, 30 de abril de 2018

Alfie, a história do menino que a justiça britânica matou...



Deixei passar algum tempo para poder falar deste assunto "menos a quente"... Na verdade Alfie poderia ser o filho de qualquer um de nós, pais e mães deste país. Acompanhei esta batalha desde que a situação foi divulgada na comunicação social. Enfureci-me, vezes sem conta, com a justiça britânica completamente sem qualquer tipo de pudor que apenas se preocupou em vencer o seu ponto de vista e dos seus médicos. Venceu a justiça britânica e Alfie partiu... E este Alfie poderia ser o filho de qualquer um de nós... Até onde iríamos para tentar prolongar a vida ao nosso filho? Provavelmente encetaríamos todas as batalhas possíveis e imaginárias como fizeram os pais de Alfie.

A justiça ordenou não deixar sair esta criança do hospital, não porque ali seria onde seria mais bem tratado mas porque queria fazer vencer o seu ponto de vista. O mundo abriu-se para oferecer tratamento a esta criança, equipas de técnicos de saúde voluntários estavam prontos a fazer o seu transporte, foi-lhe oferecida nacionalidade italiana para poder ser transferido e tratado nesse país... A justiça britânica permaneceu surda, mais preocupada em não perder a face do que com o direito à Vida de uma criança.
Independentemente da nossa crença e numa altura em que a eutanásia está "em cima da mesa" como tema de discussão, é fundamental que possamos meditar sobre esta questão e perguntar-nos "E se fosse comigo? E se fosse meu filho?"

Um enorme abraço a estes pais guerreiros que lutaram até ao fim pela vida do seu filho e viram a sua luta "morrer na praia"... Alfie, contra todos os prognósticos, resistiu ainda quatro dias sem ventilação, continuamos sem saber exactamente de que doença rara se tratava e se esta criança poderia ver revertido o seu estado clínico; na fase final foram estes pais quem teve de realizar as manobras de "aspiração" das secreções desta criança porque os técnicos de saúde se recusaram a fazê-lo, mais preocupados em fazer vencer a sua teoria do que em proporcionar condições de saúde e bem estar a uma criança doente.

Pergunto-me onde fica então o célebre juramento de Hipócrates que todos os técnicos de saúde fazem? E se a Ciência está em permanente evolução não seria mais lógico que médicos se unissem para tentar descobrir mais sobre esta doença rara, em vez de permanecerem autistas a todas as ofertas de colaboração com o diagnóstico?

Gostaria ainda de realçar o papel do Papa Francisco que não se poupou a esforços no apoio a estes pais.
Não sei quem me revolta mais no meio desta situação se a surdez e prepotência da justiça britânica, se a atitude tão pouco ética dos técnicos de saúde britânicos tão "certos" da sua verdade...
Mas uma pergunta impõem a todos nós... " E se Alfie fosse meu filho?"

Helena Peixoto
30/04/2018



Alfie Evans completou sua batalha. “O nosso bebê ganhou asas nesta noite às 2h30 da manhã. Estamos com o coração partido. Obrigada a todos pelo seu apoio”. Com este…
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